¿Aysén ou torres del paine?
AYSÉN

Por Antonia Anastassiou, cofundadora do Parque Cascadas
Há mais de vinte anos viajo pela Patagônia de Aysén, e ainda sinto que há algo nesta região que não pode ser completamente explicado à distância. É preciso chegar. É preciso pegar a estrada. É preciso sentir a umidade da floresta, o som do rio Simpson, o silêncio entre as árvores.
Torres del Paine é poderoso, dramático e inesquecível: um dos grandes ícones da Patagônia chilena, com paisagens abertas, torres de granito e geleiras. Também é uma região mais desenvolvida, mais visitada e mais presente no imaginário do viajante internacional.
Aysén é outra coisa.
Aysén é mais escondido, mais íntimo e ainda maravilhosamente distante das multidões. Sobretudo no norte de Aysén — a parte que mais amo — a natureza não se abre imediatamente para o horizonte. Ela envolve você. Entre cânions, floresta nativa, rios e cachoeiras. Os verdes parecem infinitos.
No Parque Cascadas, próximo ao rio Simpson e à Cascada La Virgen, essa sensação se torna muito clara. A natureza não é apenas uma paisagem. É uma atmosfera. Ela entra pelo som da água, pelo ar frio da manhã, pelas aves que aparecem somente quando você está em silêncio o suficiente, pela maneira como a floresta muda depois da chuva.
Também me impressionam as pessoas de Aysén: os gaúchos e homens e mulheres da região que sabem ler o clima, os animais, o rio e a estrada, e que não enxergam a natureza como algo separado deles mesmos. Existe uma sabedoria ancestral, prática e humilde nessa relação.
Não gosto de comparar Aysén e Torres del Paine como se um fosse melhor que o outro. São duas formas diferentes de viver a Patagônia. Torres del Paine é a Patagônia do grande ícone: aberta, vasta, monumental. Aysén é a Patagônia da intimidade: rios, floresta, chuva, cânions, aves escondidas, sabedoria local, estradas longas e silêncio.
Aysén é enorme: mais de 108.000 quilômetros quadrados e menos de um habitante por quilômetro quadrado, uma das regiões menos densamente povoadas do Chile. Isso significa espaço, liberdade e descoberta. Mas também significa que planejar é importante: as distâncias são reais, o clima muda e as estradas levam tempo.
O Parque Cascadas nasceu dessa compreensão. Uma base privativa entre Coyhaique e Puerto Aysén, junto ao rio Simpson, criada para viajantes que querem explorar a região sem percorrê-la às pressas. Um lugar para voltar depois da estrada. Uma casa junto ao rio. Uma lareira. Uma floresta.
Para mim, este é o luxo mais profundo do norte da Patagônia: não apenas ver a natureza, mas sentir que a natureza devolve a você o seu lugar no mundo.


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